Lab Daltonismo

Como o daltonismo é herdado — herança ligada ao X e tabela de probabilidades

Por que a deficiência vermelho-verde é muito mais comum em homens, as probabilidades para os filhos conforme a combinação dos pais, as portadoras e os modos de herança diferentes da deficiência azul-amarelo e da acromatopsia.

Os genes dos fotopigmentos L e M (OPN1LW e OPN1MW), responsáveis pela deficiência vermelho-verde (protan e deutan), ficam no cromossomo X. Homens têm um cromossomo X e mulheres têm dois — é daí que vem a diferença de frequência entre os sexos.

Por que é mais comum em homens

O homem tem só o X que recebeu da mãe; se esse X tiver a variante, ele terá a deficiência. Na mulher, os dois X precisam ter a mesma característica para ela se manifestar, por isso é bem mais rara. Em populações de ascendência europeia, a deficiência vermelho-verde afeta cerca de 8% dos homens e cerca de 0,4–0,5% das mulheres.

Grosso modo, elevando ao quadrado a frequência nos homens, chega-se a algo próximo da frequência nas mulheres (0,08 × 0,08 ≈ 0,0064). A frequência real nas mulheres é um pouco menor porque, quando uma mulher tem uma variante protan num X e uma variante deutan no outro, um X compensa a falta do outro e ela geralmente tem visão de cores normal.

Probabilidades para os filhos conforme os pais

A tabela abaixo considera pais que carregam genes do mesmo tipo de deficiência vermelho-verde. “Portadora” é a mulher que em geral tem visão de cores normal, mas carrega um X com a variante.

PaiMãeFilhosFilhas
NormalPortadora50% com deficiência · 50% normais50% portadoras · 50% normais
Com deficiênciaNormal (não portadora)Todos normaisTodas portadoras
Com deficiênciaPortadora50% com deficiência · 50% normais50% com deficiência · 50% portadoras
NormalCom deficiênciaTodos com deficiênciaTodas portadoras
Com deficiênciaCom deficiênciaTodos com deficiênciaTodas com deficiência

A deficiência do pai não passa diretamente para o filho homem, porque o X do filho sempre vem da mãe.

Por isso a deficiência muitas vezes parece “pular uma geração”: avô materno → mãe (portadora) → filho.

Dá para saber se alguém é portadora?

A maioria das portadoras tem resultado normal nos exames comuns. Algumas mostram diferenças muito sutis na discriminação de cores e, em casos raríssimos, já houve relatos de evidência de tetracromacia, com uma quarta dimensão de cor (Jordan et al., 2010). O histórico familiar é a pista mais segura e, se necessário, um teste genético pode confirmar.

Arranjo dos genes e tricromacia anômala

No cromossomo X, depois de um gene L vêm um ou mais genes M enfileirados. Como são genes muito parecidos lado a lado, na formação de óvulos e espermatozoides é fácil ocorrer um cruzamento desalinhado, que faz perder um gene ou cria um gene híbrido misturando L e M. Esse é apontado como o motivo de a deficiência vermelho-verde ser mais comum que outras características hereditárias.

Herança dos outros tipos

Bom saber

Fazer o teste de visão de cores →